Aletria Vamos avante, sou insistente, perdeu-se o texto, mas não o rumo. Houve um tempo em que o alimento não te não tocava a alma, Ingeri-lo era violar a tua intimidade, por isso o rejeitavas, Mas uma fada, percebeu que não era apenas uma questão de anorexia, Então, com a varinha, ela fez do comum o inédito, e deu-te de comer, Dias após dias, aquele doce alimento te nutria e compensava. Incansável, mesmo no fim do dia, mesmo no calor do impiedoso fogão, Ela elaborava, com suor e lágrimas, o manjar dos deuses. Ninguém entendia como sobrevivias, o segredo não estava no alimento, O amor dos gestos, da esperança da caridade, era o que era mais valia. Nem o tempo, nem a rejeição, foram suficientes, para neutralizar, O carinho, a dedicação, ou as preces de uma mãe em dobro. Enfim cresceste, agora que a presença física da fada, se faz ausente, Não temas, pois trazes em teu sangue, A chama, daquele amor que nunca cessa, Daquela mão que nunc...